11o as sílabas tónicas sem gás

as sílabas tónicas sem gás

adj., diz-se do vocábulo acentuado na antepenúltima sílaba;
pop., extravagante; exótico; excêntrico;

citação do dia:
"I'm such a good lover because I practice a lot on my own."

Woody Allen

terça-feira, novembro 14, 2006

Pedro

Parece que Pedro Santana Lopes lançou um livro. E que livro é esse? perguntam os leitores deste blog. Pois bem, respondo eu, é um livro com páginas. Páginas essas que têm frases, que têm palavras (por sua vez compostas por letras), palavras essas dispostas numa ordem que atribui sentido à frase. Essas frases, quando isoladas, têm um significado. Se agrupadas segundo um padrão definido, dão origem a uma história, que pode ser documental, caso seja verídica, ou romanceada, caso seja fruto da imaginação do autor. Se, pelo contrário, não existir um encadeamento lógico nessas frases capaz de produzir um conteúdo que faça sentido, dão origem a 2004 – Percepção e Realidade, o novo livro de Pedro Santana Lopes. Suponho que o livro represente a percepção muito própria do ex-primeiro ministro relativamente à realidade de 2004. Ou que relate a sua experiência com ácidos, há dois anos atrás. Ou as duas coisas.

Para finalizar, não quero deixar de atribuir o seu a seu dono. O título desta posta foi gamado indecentemente a um texto do inefável Luís Delgado, publicado na terça-feira seguinte às eleições legislativas do ano passado, que constitui um bonito epitáfio à carreira política de Pedro Santana Lopes. Mais do que isso, constitui a prova provada de como é possível escrever uma crónica jornalística enquanto se faz um felácio.

terça-feira, outubro 10, 2006

orgulho em ser uma vaca




ai ai
oooh, estou tao nervosa!




Quem terá sido o(a) autor(a) desta pequena maravilha? E o que teria ele(a) fumado?

Aqui ainda se ve o Poupas a oferecer uma boa esfregadela a uma miúda que passa por ele.

Aaah... Os bons velhos tempos do politicamente incorrecto! :)

quarta-feira, outubro 04, 2006

jura, que vais ficar com ela dura

O Penim e a Teresa Guilherme são uns devassos. Esta é a única conclusão possível depois de se associar o anúncio "o filme das nossas vidas" à telenovela que este promovia, "Jura". Ou isso ou sou o único que não vive num filme pornográfico.
Importa dizer que a qualidade até nem é má de todo. Por oposição às novelas da TVI, em que parece que todos os actores foram sedados, a acção da novela da SIC é vertiginosa: A velocidade com que a actriz Patrícia Tavares sobe a saia só encontra paralelo na rapidez com que o, aham..., actor Pepê Rapazote desce as calças. Sem dúvida que a SIC fez um esforço para beber os ensinamentos dos filmes pornográficos. Também na novela, o argumento (sim, existe um argumento) parece ser pretexto para que haja uma cena de sexo em cada cinco minutos. Nunca o Rui Veloso sonhou que iria compôr a banda sonora de uma produção deste género.
Por falar em género, esperemos que a novela não mude do erótico para o terror. Dado o voluntarismo com que o personagem Fernando, interpretado pelo Pepê Rapazote, mas que raio de mãe é que dá um nome destes ao filho, se atira a tudo o que ande (incluindo uma gaja que faz dois dele e cuja voz de bagaço impõe respeito ao Darth Vader) todos os telespectadores tremem de medo ante a possibilidade de a SIC introduzir a bestialidade nos canais de sinal aberto. Já faltou mais.

Mas o mais ridículo é o final de cada episódio. O que deveria ser um momento de alívio e contentamento para todos os telespectadores é transformado num martírio pelo locutor de serviço, que resolve opinar sobre o episódio do dia, fazendo uma longa reflexão e terminando a dizer que vai pensar sobre o assunto. Seria um valor acrescentado para os filmes pornográficos se lá tivessem este gajo a dar uma de intelectual: "Tanto Jenna Jameson como o marido vivem absorvidos pela carreira... (pausa para reflexão) o afastamento vivido pelo casal e a carência de afectos que daí advém levam a que a consultora procure a aventura junto de Nacho Vidal, um moço de entregas que transporta consigo uma encomenda de 20 centímetros. O resultado (nova pausa) é um tórrido jogo de sedução que culmina num entusiasmante fellatio, um apaixonado cunnilingus, e uma envolvente cópula seguida de um inesperado cumshot na face da empresária (pausa um pouco mais longa). Foi preciso procurar fora da relação para viver novas sensações. Será que Jenna teria oportunidade de vivenciar o prazer anal com o marido? Hoje apetece-me pensar nisso..."

sexta-feira, setembro 29, 2006

as maravilhas do atendimento aos clientes

A partir do momento em que me encontrei sem trabalho e na impossibilidade de me alimentar através da fotossíntese decidi que teria de procurar alguma coisa no imediato se quisesse comer outra coisa para além de modelos da Face ou da Elite. Não desfazendo, modelos é bom e tal, si'senhora, mas o buraco no estômago continua lá. Talvez seja por terem pouca chicha, e já se sabe que nada alimenta como um bom bife. Assim sendo, não tive outra hipótese senão atender malucos que telefonam para o apoio a clientes para fazer todo o tipo de perguntas que fariam do George W. Bush uma das mentes mais brilhantes da nossa era.
Para além de um telemóvel continuar a ser um bicho estranho para a maior parte das pessoas, estas insistem que, mesmo apesar de estarem a ligar o apoio a clientes para serem ajudadas, sabem mais que o operador. Exemplo disso foi o de um indivíduo que me ligou dizendo que tinha feito um carregamento de cartão através do multibanco e que este não tinha alterado o prazo de validade. Enquanto lhe pergunto se conhece os carregamentos do seu tarifário, este cliente que, pela sua prosa me parecia um indivíduo minimamente inteligente, interrompe-me dizendo que o carregador do telemóvel deve estar avariado, pois não tem indicação no telemóvel de que a bateria está a ser carregada. "Com certeza" - respondo - "Já lhe direi como deve proceder relativamente a esse caso". O impaciente senhor interrompe-me, insistindo que acha que o telemóvel não carregou completamente a bateria. Imaginei, entretanto, que o excelso cliente fosse um daqueles que acha que o operador vai tratar de tudo ao mesmo tempo e que, por não ter mais nada que fazer, até vai ligar de volta ao cliente para lhe explicar as coisinhas todas como se o cliente fosse muito burro. Por esse motivo, explico calmamente ao meu interlocutor que em primeiro lugar lhe vou explicar como fazer um carregamento que irá prolongar a validade do cartão. Nesse momento, a brilhante alminha responde-me bruscamente: "Espere! Eu vou explicar-lhe para você entender". Como é óbvio, eu já estava farto de ver que o carregamento que ele tinha feito não alterava a porra da validade do cartão; sendo assim, mal podia esperar pela "explicação". No entanto, a realidade superou qualquer expectativa. Diz-me ele: "É que como a bateria não carregou completamente, o carregamento não deve ter entrado! Percebeu?"
Juro que até me vieram as lágrimas aos olhos.

terça-feira, setembro 26, 2006

Ah, g'anda Cavaco...

Cavaco em Espanha

Letizia grávida

Coincidência? Não me parece...

segunda-feira, setembro 25, 2006

favas com chouriço

Há momentos em que este blog não está no mesmo nível dos conteúdos que aqui são apresentados, momentos em que sinto que não estou à altura dos temas sobre os quais discurso. Na verdade esses momentos acontecem sempre que escrevo e hoje não é excepção. Vejam como nasce um grande, grande amor: Começa com sexo logo de manhã, qu'é para abrir a pestana, prossegue para a marmelada no escrivão e termina com uma fogueira dentro da sala. Meninos e meninas, José Cid.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Bento XVI, o tolerante

Quando li as declarações do Papa que, citando o imperador de Bizâncio, diz "Mostra-me o que Maomé trouxe de novo e encontrarás coisas más e desumanas, como o direito de defender pela espada a fé que pregava" achei que Bento XVI tinha demonstrado menos tacto que um hipopótamo numa loja de porcelanas. Também achei, não sei muito bem porquê, que era natural que a coisa fosse dar molho entre a comunidade muçulmana. No entanto, ao ler o Público de hoje, apercebo-me de como estava errado. Na sua coluna semanal, José Pacheco Pereira ilumina-nos e demonstra como as manifestações de ira dos muçulmanos não têm qualquer tipo de nexo, a começar pela queima de uma efígie do Papa. Creio que JPP considera, como eu, que esse acto é o reflexo de uma sociedade primitiva. E com razão, pois há mais de dois séculos que a igreja não queima nada, exceptuando aqueles senhores que andavam de lençóis brancos. Mas esses eram diferentes, porque eram fundamentalistas. E os muçulmanos nem sabem fazer a coisa como deve ser, porque a igreja não queimava efígies, queimava bruxas. Percebem? Bruxas, pá. Ou seja, pessoas, não efígies de madeira. Não sei porquê... talvez a igreja, na sua infinita sabedoria, achasse na altura que as pessoas ardem melhor que as efígies.
Certamente será por estes comportamentos primitivos demonstrados por alguns muçulmanos e veementemente recriminados por Pacheco Pereira que Bento XVI resolveu usar uma frase com cerca de dez séculos de existência e que, segundo nos explica JPP, foi retirada do contexto. Isto apesar de o Papa estar a usar uma citação. O que acho extraordinário é que estes muçulmanos consigam retirar tudo do contexto, até citações. Esses gajos são tramados. Até porque, segundo explica novamente Pacheco Pereira a todos os que não são tão iluminados como ele, afinal este texto era "um dos textos mais tolerantes que algum Papa fez até hoje". Tenho de andar mais atento às comunicações do Vaticano. Pelos vistos devem ser ainda mais picantes que aquela nova novela da sic em que toda a gente passa a vida no esfreganço. Com a vantagem de que não ficamos fartos da música do Rui Veloso.

sexta-feira, agosto 25, 2006

ser ou não ser, eis a questão

Apesar de todas as críticas em relação à programação da nossa televisão, a verdade é que metade do povo português está colada ao pequeno écran, aguardando em suspenso por uma dúvida Shakespeariana: O momento no qual Frederico Fritzenwalden dissipe finalmente a sombra da dúvida e indague Floribela com um argumentativo “Ó Flor, deixas pôr?”

sexta-feira, julho 07, 2006

Onde está o Vasco Pulido Valente?

Foi com grande espanto que soube que o Vasco Pulido Valente criticou violentamente, nas páginas do Público, o Carmona Rodrigues por ter fechado a Avenida da Liberdade por algumas horas, a pretexto das marchas populares. Sim, é verdade que a crónica do escriba do Público já tem três semanas, mas foi precisamente o tempo que demorei a reagir. Ou seja, o tempo que demoraram a convencer-me que alguém, mesmo o Vasco Pulido Valente, se tenha lembrado de atravessar a Avenida da Liberdade em noite de marchas sem dar de seguida um tiro na cabeça. Esse é que é o facto verdadeiramente espantoso. A crítica que se seguiu foi a reacção natural, já que é sabido que se o Vasco Pulido Valente apanha uma diarreia, quem leva com as culpas é um ministro qualquer.
Começo por dizer que sinto uma profunda compaixão por Vasco Pulido Valente. Por dois motivos: Em primeiro lugar, porque imagino a frustração do desgraçado quando se viu impedido de atravessar a Avenida da Liberdade na noite de dia 12 de Junho. Que não tenham impedido a marcha de imediato para permitir a passagem do colunista é coisa que não se compreende. Em segundo lugar, porque a minha mãe me ensinou a ter pena de quem faz figura de atrasado mental. Mesmo que para o conseguir tenha de ter bebido uma litrada de whisky. Sorte a do Carmona Rodrigues que VPV tenha decidido que afinal não ia comprar tabaco a Alfama.
Para terminar deixo uma sugestão: Como o Público gosta de fazer colecções por tudo e por nada, pensei numa colecção de crónicas do Vasco Pulido Valente acompanhadas de desenhos para crianças, assim do tipo "Onde está o Wally". Ao primeiro livro, passado na Avenida da Liberdade, seguir-se-iam "Vasco tenta atravessar a claque dos SuperDragões vestindo a camisola do Nuno Gomes", "Vasco tenta atravessar o recinto de um festival Death-Metal sem apanhar com um crowd-surfer na mona" ou "Vasco tenta atravessar a praia de Santo Amaro de Oeiras num domingo de calor".

quinta-feira, junho 29, 2006

floriporno

A "Floribella" irrita-me. Irritam-me as personagens, irrita-me a cor de cabelo e de barba do actor principal, irrita-me o beicinho da actriz, irritam-me as músicas. Mas o pior de tudo são os personagens, tão fofinhos que eles são, por tudo e por nada a dar a mão e a aproximarem-se um do outro. De cada vez que vejo a "Floribella", estou sempre a ver quando é que aquilo descamba para a pornografia barata e para a vil utilização do sexo como modo de subir as audiências. Mas, infelizmente, ainda não tive essa sorte. O que é o que me irrita mais.

Senão vejamos: Volta e meia lá estão Frederico e Flor, em câmara lenta, a tocarem-se nas mãos (como num filme pornográfico), a roçarem os cabelos (como num filme pornográfico) e quase a beijarem-se (como num filme pornográfico) até que entra alguém na sala. Ora isto, que deveria ser motivo para iniciarem de imediato o ménage à trois, parece inibir os personagens, que dão a nítida sensação que, não fosse a inoportuna entrada de um terceiro personagem em cena, iriam dar início a um esfarrapanço sem precedentes na história da televisão em canal aberto em Portugal (mesmo apesar de a série ser transmitida à tarde). Eu, pelo menos, fico sempre com essa sensação.

É que depois a história perde a sequência. Em vez de aproveitarem a entrada do intruso para embalar numa valente orgia, ficam ali a olhar um para o outro com olhos de carneiro mal-morto. E depois os filmes pornográficos é que são chatos e não saem da cepa torta e mais não sei o quê. Só sei que um gajo vê 5 minutos de novela e fica ali a pensar que se perdeu uma bela oportunidade de descarrilar o combóio à grande. Se tal coisa acontecesse, além de tornar a história mais suportável, só dignificaria a novela, digo-vos eu.

terça-feira, junho 06, 2006

um neurónio concentrado

Já sabia o que haveria de escrever neste post. Só não sabia como começar. Eis quando leio por aí que hoje, dia 6/6/06, é suposto ser o dia da besta. Ora nem de propósito:

"Podem tentar desconcentrar-me uma, dez ou mil vezes que não o vão conseguir" - Cristiano Ronaldo, sobre as revistas cor-de-rosa.

O esdrúxulos acredita que o Cristiano Ronaldo é capaz da máxima concentração até porque, parecendo que não, só ter um neurónio ajuda um gajo a focar-se apenas numa coisa de cada vez. Nós bem o vimos durante a performance dos "Gato Fedorento" em Évora para a selecção, Cristiano de olhar atento e sobrolho franzido, testa já a escorrer suor, esforçando-se por tentar perceber do que é que os outros meninos da selecção se riam tanto.

Não obstante a nossa certeza neste aspecto da vida de Ronaldo, saímos à rua e consultámos o povo e, devo dizê-lo, os resultados foram surpreendentes. A esmagadora maioria dos entrevistados, incluindo uns 65 mil adeptos do Benfica que foram ver o jogo contra o Manchester, um jogador da selecção de Cabo Verde e um professor Karma, consideram que o benjamim da selecção tem muitas dificuldades em concentrar-se apenas no futebol.

Comecemos pelos adeptos do Benfica: Fanã, bate-chapas por profissão e bate-superdragões por vocação, diz-nos que não foi muito difícil desconcentrar Cristiano Ronaldo: "Tive apenas de aprender a escrever 'A MERXE É PÔDRE DE BOA'. Quando o puto viu o cartaz, afinfou logo no Beto de tal maneira que ninguém no estádio acreditou que o nosso trinco tivesse tropeçado na bola, como de costume".

Também o jogador de Cabo-Verde que entrevistámos partilha da mesma opinião: "Não sei o que passa pela cabeça do puto. Ia eu ali na minha, a entrar em campo e a cantarolar 'princesa, beija-me outra vez, diz que me amas, baby, só mais uma vez' e o gajo a olhar-me de lado. Durante o jogo, levei uma trancada do gajo de tal forma que fiquei logo ali. Ele veio ter comigo depois do jogo, pediu-me desculpa e disse-me que me confundiu com o Boss AC, que nós, os cabo-verdianos, somos todos parecidos e mai-não-sei-o-quê. A verdade é que estou lesionado e já não vou ao mundial. Se já tinha poucas esperanças depois de a nossa selecção ter sido eliminada, aquele desmiolado acabou de vez com elas" - lamenta-se, choroso, o jogador.

Também o professor Karma, mestre da hipnose, tem uma palavra a dizer sobre o Cristiano: "Vejo-o como um objectivo. A facilidade em hipnotizar um humano ou animal aumenta com a capacidade de concentração deste. O meu maior feito até agora consistiu em hipnotizar uma galinha. No entanto, agora preparo-me para um desafio ainda maior - hipnotizar o Cristiano Ronaldo. Comparado com isso, hipnotizar a galinha é canja. Ah ah ah!! Esta foi boa!"

sexta-feira, junho 02, 2006

arioplano

Tem sido mais por preguiça que por outra coisa que não tenho actualizado a barra lateral, mas há um esquecimento que é imperdoável: O do blog deste gajo, com todas as suas montagens, sondagens e demais posts. Uma obra-prima que devem visitar.
Nesta altura devem estar a pensar "lá tá o esdrúxulo a engraxar o blog do amigo". Pois o blog é tão fenomenal que se pudesse até lhe puxava o lustro. Com a seguinte ressalva: Não conheço o autor do blog de lado nenhum, apenas estou a reconhecer o mérito que lhe é devido. Até porque eu não conheço ninguém da blogosfera. Melhor dizendo, nem sequer conheço ninguém da atmosfera. O que é natural, dado que vivo num abrigo anti-nuclear desde que me trouxeram para este planeta. Só conheço uns russos da ionosfera. Disse-lhes adeus e eles acenaram-me de volta, quando a minha nave passou ao pé da estação espacial onde eles estavam. Simpáticos, os senhores. E a minha nave que nunca mais chega para me vir buscar. Que chatice, pá.

quinta-feira, junho 01, 2006

uma questão de charme

Cá está um recuerdo do concerto dos Deftones no SBSR:



ou a prova que o vocalista dos Deftones pode ser mais sensual que um ornitorrinco. Basta querer.

Já agora, o player do outro post também já está a bombar. Vai, Gervásio!

terça-feira, maio 30, 2006

dá deus nozes a quem não tem dentes

Há uns dias vi a dentista mais gira que já vi em toda a minha vida. Ora isto é, obviamente, o que se chama uma muleta de expressão. Como eu não tenho outra maneira de começar o post, digo isto assim. Como eu nunca conheci outro praticante de medicina dentária do sexo feminino, ela até podia ser parecida com a Camilla Parker-Bowles, que seria sempre a dentista mais gira que já conheci. Isto é tão surreal como aquelas cenas típicas de novela da TVI: "Ai, ele é tão giro! É o engenheiro aeroespacial mais giro que já conheci!!" Mas esta dentista era mesmo gira.
Conheci-a numa escola primária onde dou umas aulas de ocupação dos tempos livres. Ela andou por lá a tratar os dentes dos miúdos da escola. Ora a última vez que a vi foi, por incrível que pareça, a última vez que a vi. Isto porque parece que ela já tratou da cremalheira aos pequenos selvagenzinhos que, não tendo sido devidamente anestesiados, vêm para as minhas aulas cheios de energia. Uma das minhas alunas até me perguntou se "o professor é namorado da higienista". Confesso que me brotou uma lagrimita do canto do olho. Nem sequer falei com a dentista 5 minutos e já os sacaninhas tinham percebido a coisa. Zanguei-me com os miúdos. Se comessem mais chocolates ela ainda estaria cá. E zanguei-me com Deus. Foi capaz de me colocar à frente aqueles olhos e aquele sorriso (cá está: o autor volta à temática da novela da TVI) mas incapaz de me colocar na boca uma cárie dentária. Foda-se, tantos anos a esquecer-me de lavar os dentes para nada...


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